terça-feira, 12 de outubro de 2010

Meus Sapatos

Meus sapatos se parecem comigo
São um misto de coturno e sapatos de palhaço
Dói nos pés, mas se impõem
São o que eu gostaria de ser
disciplinado e engraçado
Contam o dono
Dão pistas e me traem
Tentam provar o que todos já sabem
Traduzem o respeito do medo que sinto
Humilham a vida de quem os calça
Soldado bêbado tornado bobo sem patente
Criatura da repulsa e desprezo
Ninguém paga para ver
Ator sem platéia, sem a santidade de Grotowski
Palhaço tenso se transforma em soldado sem fuzil tentando controlar multidão
Talvez seja melhor trocá-los por tênis e descobrir as duas fardas
Vestirei qual roupa então?
Andarei nú por aí?

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