brunilsondascandongas
terça-feira, 12 de outubro de 2010
Fí-lo porque qui-lo
Fí-lo com minha pintura ruím, voz tosca e marra de quem vai provar improvável
Fí-lo com minha postura caricatural
Fí-lo nas pessoas machucadas por mim
Fí-lo nos abismos d'onde saltei
Fí-lo por estar VIVO
FÍ- LO PORQUE QUILO
E onerado por tudo em solo e consciência sobre o mal que causei
Poeira por poeira
Filhos perdidos
A não ser que um Alzheimer me acometa
Caso contrário terei que dívida pela vida que vivi
Balançando na cadeira do passado
No abismo do ledo inconsequente, passageiro do futuro
Sem imaginar que ele chega veloz
Tragando tudo
Noite
Não o primeiro, mas o último
Estaca no drácula
Bala de prata no lobisomem
Perna mecânica no saci
Os moralistas tomam vez para gritar: "A Conta por favor"
Carrascos da noite
Cobertores de caráter
Advogados, atores, auxiliares de escritório, pintores são na noite só o que se deixam ser
a manhã virá outra vez para oprimir a todos com dietas, Tai-Chi, hidropônicos e carreiras
Mas o Homem vigia a lua
a próxima "carreira" esquinal
Alento para quem ama e comete o mal semi-intencional
paisagem lôbrega dos apaixonados abandonados
Meus Sapatos
São um misto de coturno e sapatos de palhaço
Dói nos pés, mas se impõem
São o que eu gostaria de ser
disciplinado e engraçado
Contam o dono
Dão pistas e me traem
Tentam provar o que todos já sabem
Traduzem o respeito do medo que sinto
Humilham a vida de quem os calça
Soldado bêbado tornado bobo sem patente
Criatura da repulsa e desprezo
Ninguém paga para ver
Ator sem platéia, sem a santidade de Grotowski
Palhaço tenso se transforma em soldado sem fuzil tentando controlar multidão
Talvez seja melhor trocá-los por tênis e descobrir as duas fardas
Vestirei qual roupa então?
Andarei nú por aí?
quinta-feira, 9 de setembro de 2010
A cidade
A cidade é meu vício
Saara repleto de rostos sem
Oásis nos bancos 24 horas
A cidade são todas as possibilidades covardes
Suas Histórias e descasos
Bolinhas de tênis no chão e a mão à cata
Braços invisíveis à procura do olhar catatônico
Minha cidade é busca por saída
Nos museus, cafés, butecos, sebos, teatros, meretrícios e “Colés”
Minha cidade dura três dias
Dá pena de mim
Mengole sem me convencer
Meu chope e “penduras”
Asa delta sem pouso, olhando eternamente a beleza sobre mim
Esfumaçando em meio à correria
Berço dos vilões, pintores e trovadores
Todos desenhando o próximo poema de quem vê por fora
Amore
A Cida chegou enquanto estávamos ali
Ela e a pele morena, Frescor do dia nascendo
Cometemos Colméia e palavra certa
A dor da vida eterna
A delícia da amizade
Assassinamos o porvir, Estávamos lá e lá ficaremos
Amada e amiga
Minha Delícia é a minha Cida
Mãe, filha, companheira, amante e saborosa
Onda de cafuné tocando minha areia, meu castelo
Água, vento, fogo e ternura
Cida meubeijo na testa
Trepa-Trepa
Balanço e os melhores humores
Cachorro quente Geneal
Cida é minha volta para casa
Maré mexendo em minha lua
Minha Cida é sideral
É quem eu posso ser
Capelo Gaivota no desejo impossível
É meu mais doce voo
A mais tenra idade
A Urca das traineras ancoradas no vislumbre oceanal
Ovos mexidos
Amor baiano adocicado em nossas tendas.
A rosa e o girassol
A rosa vem amanhã só para arrumar a casa
A rosa, apesar de não achar a mais bela dentre as flores se parece comigo
Poetas achavam subliminar
Mulher é cinza, azul, manga, jambo, flicts,
mulher é o que ela quer ser.
A minha flor ideal já está
dei a minha cabrocha Orquídeas só para ser poeta.
Orquídeas são brinquedos na mão de quem as cria
A flor ideal mora no Girassol
basta nutri-lo com um pouquinho d’água e virar suas pétalas para a luz e quem rega irá sentir eterno prazer.
O Girassol é flor de quem cuida da família, do gatinho ,mulherzinha, filhinho, maridinho...
É o astral
vê-la enorme é encontrar prosperidade no lar.
Enquanto a rosa arruma a casa o Girassol colore e dá esperança
O Girassol é de Neruda e de Bandeira
Picolé no Leblon
O pão e a manteiga
Os laços que me unem.
Pretinha
A Cida viaja e vou perdendo coisas no caminho; chaves, guarda-chuva, sanidade, amizade, texto, marca, saúde, tempo da piada, tempero, alguém para reclamar, sono... E ganho outras; Dotes culinários (maus dotes), rugas, piadas de mau gosto, dois travesseiros a mais, latas, canudos, saudades, ciúmes, melancolia, solidão, silêncio, incoerência, desorganização...
Volta pretinha, pois entre ganhos e perdas fico com os dois: Tudo habita você! (E não há mérito nisso!). Só perco o fundamental e ganho o que me faz, mas não faz falta!!!!. Vale o quanto pesa e você vale todas as minhas gerações, desde o cangaço a Portugal-Espanha, passando pelos Xavantes, Tupinambás, Yanomamis, pesará nas próximas e nos onera tanto quanto a seda mais rara, macia, branda e delicada.